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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Chineses ricos exportam poluição para regiões pobres

Controle da poluição nas províncias ricas da China levou poluidores para regiões mais vulneráveis

Bert van Dijk/Flickr
Uma fábrica na Mongólia Interior. Políticas de emissões mais rígidas nas províncias litorâneas mais ricas da China levaram suas indústrias – e suas emissões – para áreas mais pobres do interior com regras mais brandas. 

Por Tim Radford e The Daily Climate

LONDRES – De acordo com uma nova pesquisa, assim como nações ricas passaram a responsabilidade das emissões de dióxido de carbono para as nações em desenvolvimento, também as províncias ricas da China exportaram o problema para as regiões mais pobres.

O maior emissor de gás estufa do mundo – 10 bilhões de toneladas em 2011 – decidiu reduzir a “intensidade de carbono” de sua economia. No entanto, de acordo com Klaus Hubacek da University of Maryland e seus colegas, as regiões mais ricas e mais sofisticadas da China – as que têm as metas mais rígidas e específicas de redução de poluição – estão comprando bens manufaturados de locais como a Mongólia interior, uma região mais pobre onde as metas são menos limitantes.

“Isso é lamentável, porque as reduções mais baratas e mais fáceis – e portanto mais acessíveis – ficam nas províncias interiores, onde melhorias tecnológicas modestas poderiam fazer uma diferença enorme para as emissões”, declara Steven Davis da University of California, Irvine, um dos autores do estudo.

Metas mais difíceis

“Áreas mais ricas têm metas mais difíceis de alcançar, então para elas é mais fácil simplesmente comprar bens produzidos em outros locais”, adiciona Davis. “Uma meta nacional que rastreie emissões representadas no comércio seria um grande avanço para solucionar o problema. Mas não é isso que está acontecendo”. 

Em artigo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, Hubacek, Davis e seis outros relatam que examinaram a produção e as emissões da China em 2007 em 57 setores da indústria, em 26 províncias e quatro cidades.

Naquele ano, as emissões da China totalizaram mais de sete bilhões de toneladas, das quais mais da metade vinha de combustíveis fósseis queimados para a produção de bens e serviços que eram consumidos ou em outras partes da China, ou fora das fronteiras chinesas em 107 países.

Na prática, os autores forneceram uma geografia do comércio interno da China. Mais de 75% das emissões associadas aos bens consumidos em Pequim-Tianjing – uma das três regiões de maior afluente [comercial] – foram bombeadas para o ar de outras províncias.

Em 2009, na conferência climática das Nações Unidas em Copenhague, a China prometeu reduzir a dependência que sua economia tem do carbono ao reduzir emissões de CO2 por unidade de produto doméstico bruto dos níveis de 2010 em 17% até 2015. De acordo com o país, isso seria conseguido com a imposição de reduções de 19% nas províncias de afluente comercial da costa leste, e 10% no oeste, que é menos desenvolvido.

Empurrando as fábricas para o leste

A implicação é que políticas de redução de emissões tendem a levar fábricas e produtores para regiões onde os custos são menos, e os padrões de poluição, menos rígidos.

“Devemos reduzir as emissões de CO2, não simplesmente terceirizá-las”, aponta Laixiang Sun da University of Maryland, um dos autores do estudo. “Regiões e países desenvolvidos precisam assumir responsabilidades, fornecendo apoio ou investimento tecnológico para promover tecnologias mais limpas e mais verdes em regiões menos desenvolvidas”.

Os resultados, concluem os autores, “demonstram a interdependência econômica de províncias chinesas, enquanto também destacam as enormes diferenças em riqueza, estrutura econômica, e mistura de combustíveis que produzem desequilíbrios no comércio interprovincial e as emissões representadas no comércio”.

Este artigo foi originalmente publicaod em The Daily Climate, a fonte de notícias da mudança climática publicada pela Environmental Health Sciences, uma empresa de mídia sem fins lucrativos. 17jun2013
Scientific American Brasil

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Nível de gás carbônico no ar atinge marca histórica

DO GUARDIAN

Pela primeira vez na história humana, a concentração do dióxido de carbono na atmosfera passou a marca das 400 ppm (partes por milhão). A última vez que tanto gás-estufa estava no ar foi há muitos milhões de anos, quando o Ártico não era coberto de gelo, o Saara era coberto por savana e o nível do mar era até 40 metros mais elevado do que hoje.

A medição não significa que, instantaneamente, haverá mais problemas ou doenças relacionadas ao CO2. A questão tem todo um contexto simbólico.

Nas últimas décadas, os cientistas assinalaram que, para evitar um aquecimento excessivo da Terra, esse limite não deveria ser ultrapassado. O resultado de agora demonstra, em um certo sentido, que os esforços para controlar as emissões de carbono provocadas pelo homem estão falhando.
Editoria de Arte/Folhapress 


Para Rajendra Pachauri, chefe do IPCC (painel do clima das Nações Unidas), atingir os 400 ppm é um marco "que nos lembra a rapidez com a qual aumentamos a concentração de gases-estufa na atmosfera".

"No começo da industrialização, a concentração de CO2 era de 280 ppm. A esperança é que cruzar esse marco vá trazer consciência da realidade científica da mudança climática e de como a humanidade deve lidar com esse desafio."

"É simbólico, é um ponto para parar e pensar sobre onde estamos e para onde estamos indo", afirmou Ralph Keeling, que supervisiona as medições feitas em um vulcão no Havaí e que foram iniciadas pelo pai dele em 1958.

"É como fazer 50 anos: é um alerta para tudo o que está acontecendo na sua frente o tempo todo."

As estações de monitoramento no topo do vulcão Mauna Loa, no Havaí, são comandadas pelo US National Oceanic and Atmospheric Administration e pelo Instituto de Oceanografia Scripps.

Os dados divulgados nesta sexta (10) mostram que a média diária ultrapassou 400 ppm pela primeira vez nesse meio século de medições.

Os níveis de CO2 sofrem picos a cada ano sempre em maio.

Análises de ar fóssil, que fica preso no gelo, indicam que esse nível de gás carbônico não é visto na Terra há cerca de 3 milhões de anos, desde o Plioceno. Naquela época, a média global de temperaturas era de três a quatro graus mais alta do que hoje e oito graus mais elevada nos polos.

Os corais sofreram um processo grande de extinção, enquanto que as floresta cresceram perto do Ártico, onde hoje existe tundra.

"Acho que é possível que essas mudanças de ecossistema se revertam", afirmou Richard Norris, que trabalha com Keeling no instituto Scripps.

O clima terrestre leva tempo para se ajustar ao calor aprisionado pelos altos níveis de gases-estufa e pode levar centenas de anos até que as calotas polares derretam até terem o tamanho pequeno que tinham no Plioceno e até o nível do mar se elevar.

Mas a rapidez com a qual os níveis de gás carbônico estão subindo --talvez 75% mais rápido do que no período pré-industrial-- nunca havia sido vista em recordes geológicos e alguns efeitos da mudança climática já estão sendo vistos, com ondas de calor extremas e inundações mais prováveis de ocorrer. O recente verão úmido e frio na Europa foi ligado a mudanças nas correntes de ar de grande altitude, por sua vez ligadas ao derretimento mais rápido do gelo no Ártico, que bateu sua marca mais baixa em setembro.

"Estamos criando um clima pré-histórico em que sociedades humanas enfrentarão riscos enormes e potencialmente catastróficos", disse Bob Ward, diretor do Instituto Grantham de Pesquisa de Mudança Climática, da Escola de Economia de Londres.

"A marca de 400 ppm é uma marca grave e deveria servir de alerta para todos nós apoiarmos tecnologias de energia limpa e reduzir as emissões dos gases-estufa antes que seja muito tarde para nossos filhos e netos", disse o cientista Tim Lueker.

NO BRASIL
O pesquisador Jefferson Simões, diretor do Centro Polar e Climático da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), diz que a marca de 400 ppm já era esperada e que, no atual nível de emissões, a tendência é que a curva não pare de subir.

"Na verdade, havia até uma espécie de aposta entre os observatórios para ver quem faria a primeira medição da média de 400 ppm", disse o pesquisador.

"O importante disso não é o número em si. Ele é mais uma comprovação de que estamos provocando alterações sérias no ambiente", diz ele.

Segundo o cientista, não costuma levar muito tempo para que as concentrações de dióxido de carbono se equilibrem em toda a Terra. Ou seja: em breve a concentração maior do gás deve ser detectada nos outros observatórios, inclusive nos que são operados por pesquisadores brasileiros.

"Nós acompanhamos esses dados todos os dias na Antártida. E já percebemos esse aumento. Estamos muito próximos dos 400 ppm também."
Folha  de S. Paulo

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Produtos de higiene contaminam o ar de Chicago

Contaminação do ar por compostos químicos de desodorantes, cremes e loções beiram níveis alarmantes

Flickr/Steve G
COMPOSTOS AÉREOS DE CHICAGO: O ar em Chicago tem elevados níveis desiloxanos cíclicos, compostos que podem estar presentes também no ambiente natural da maior fonte de água doce do mundo – os Grandes Lagos.

Por Brian Bienkowski e Environmental Health News

À beira de uma revisão regulatória federal, compostos químicos encontrados em desodorantes, loções e condicionadores de cabelos estão aparecendo no ar de Chicago em níveis que cientistas consideram alarmantes.

Os compostos voláteis – siloxanos cíclicos – estão viajando para locais tão distantes quanto o Ártico, e podem ser tóxicos para a vida aquática.

“Essas substâncias estão simplesmente em todo lugar”, declara Keri Hornbuckle, professora de engenharia da University of Iowa e coordenadora de novo estudo.

As concentrações eram 10 vezes maiores no ar de Chicago que no ar de West Branch, Iowa, e quatro vezes maior que em Cedar Rapids, Iowa.

Hornbuckle explicou que as descobertas são preocupantes porque os compostos são onipresentes e foram detectados em níveis muito mais altos que outros contaminantes ambientes. “Essas são concentrações altas, que estão me preocupando de verdade”, admitiu ela.

Mas não se sabe se inalar esses compostos traz riscos. Não existem estudos medindo a exposição das pessoas ou investigando possíveis riscos de saúde.

No ar de Chicago o composto predominante, conhecido como D5, estava presente em níveis três vezes maiores que os normais de bifenil policlorado (PCB). PCBs são substâncias químicas persistentes, banidos na década de 70. O D5 é mais comumente usado em sabonetes, loções, xampus e condicionadores. 

É provável que os compostos também estejam presentes em altas concentrações no ar de muitas cidades, mas ninguém os pesquisou outros lugares ainda. Os Estados Unidos produzem ou importam entre 91 milhões e 454 milhões de quilos de siloxanos cíclicos todos os anos, de acordo com estimativas da Agência de Proteção Ambiental do país.

Muitas pessoas esfregam esses compostos todos os dias em seus corpos. Eles estão presentes em quase metade dos itens de cuidados pessoais, com até dois terços da massa do produto em alguns casos, de acordo com um estudo de 2008 realizado pelo Departamento de Saúde Pública de Nova York e um estudo de 2009 da Health Canada. Eles são usados nesses produtos porque são inodoros, incolores e suaves ao tato.

O novo estudo não rastreou a origem das substâncias químicas, mas sugere que produtos de cuidados pessoais são uma grande fonte já que o D5 era o composto dominante tanto em amostras de ar doméstico quanto em amostras externas.

Concentrações domésticas de ar nos laboratórios e escritórios da University of Iowa eram de 30 a 75 vezes maiores que as amostras externas de ar da Cedar Rapids e West Branch, e o D5 compunha 97% da massa de amostras internas. 

“É com base na população”, explica Rachel Yucuis, estudante de mestrado da University of Iowa e principal autora do novo estudo. “E em lugares fechados você tem tanto os produtos pessoais no meio quanto os que as pessoas estão usando, em um espaço concentrado”.

À noite, níveis de siloxanos cíclicos eram cerca de 2,7 vezes maiores que durante o dia, o que provavelmente se deve a mudanças na atmosfera ao anoitecer, pondera Yucuis.

De acordo com a EPA, o D4 – usado em polidores, detergentes, selantes, adesivos e plásticos – é tóxico para a vida selvagem. Estudos laboratoriais anteriores descobriram que o composto era tóxico para certas espécies – pequenas trutas arco-íris e pulgas d’água – em concentrações que são esperadas no ambiente.

Além disso, o D4 provoca tumores, problemas reprodutivos, alterações no tamanho de órgãos e age como um estrogênio fraco em estudos com animais de laboratório. O D5 provocou mudanças nos sistemas nervoso, hepático e imune de animais de laboratório.

O D4 e o D5 não são atualmente regulados em qualquer local do mundo. Mas a EPA anunciou no ano passado que avaliaria se o D4 deve ser regulado sob o Toxic Substances and Control Act. No entanto, a agência está menos preocupada com concentrações no ar externo do que com os riscos a criaturas aquáticas, explicou um porta-voz da EPA por email.

O potencial de acúmulo e toxicidade de siloxanos cíclicos são debatidos por cientistas e representantes da indústria.

Tanto o D4 quanto o D5 são “seguros para a saúde humana e o ambiente quando usados da maneira planejada”, respondeu por email Karluss Thomas, diretor sênior do Silicones Environmental, Health and Safety Center do Conselho Americano de Química.

Ele declarou que níveis mais altos dos compostos em locais como Chicago não são motivo de preocupação porque não há evidência de que afetem humanos.

Mas um painel científico da Comissão Europeia que revisou dados existentes sobre o D4 concluiu em 2006 que estava “incapaz de avaliar os riscos a consumidores quando o D4 é usado em cosméticos”.

“Apesar do tamanho do dossiê enviado pela indústria para avaliação, é lamentável que o documento em questão não tivesse informações/dados significativos sobre a real exposição de consumidores ao D4”, escreveu o painel.

Na última década, de acordo com estudos sobre siloxanos cíclicos, o D5 substituiu o D4 em cosméticos.

Oficiais de saúde da Califórnia expressaram preocupação com esse crescimento no uso de D5, declarando em 2007 que “[o D5] tem potenciais impactos na saúde pública” e “foi medido em várias espécies aquáticas em concentrações de partes por milhão, e parece ter uma longa meia-vida em humanos. Portanto, a persistência do D5 no ambiente e em tecidos humanos e animais é uma preocupação”.

Como os químicos se acumulam em criaturas aquáticas não é bem compreendido.

Thomas citou estudos de vida selvagem em Minnesota e na Europa mostrando que animais no topo das cadeias alimentares tinham menores concentrações que animais no final.

Outra pesquisa, porém, mostra que os compostos estavam se acumulando nas cadeias alimentares do Lago Mjosa da Noruega e no Estuário Humber da Inglaterra, de acordo com um trabalho de Michael McLachlan e colegas da Universidade de Estocolmo.

McLachlan explicou que os compostos têm uma estrutura estranha que torna difícil compreendê-los, mas declarou que a maioria dos cientistas afirma que estão se acumulando. “A maioria dos químicos padrão acaba em sedimento”, observou ele. “No entanto, com siloxanos cíclicos, uma porção muito menor acaba em sedimento e uma porção muito maior se acumula nos peixes”.

Com níveis elevados no ar de Chicago, é possível que a vida selvagem na maior fonte de água doce do mundo – os Grandes Lagos – fique contaminada com eles, o que ainda não foi analisado, lembrou Hornbuckle. Laboratórios ao longo da região dos Grandes Lagos estão avaliando maneiras de medir os compostos de acordo com um estudo realizado em 2010 pela Environment Canada sobre contaminantes emergentes nos Grandes Lagos

Siloxanos cíclicos viajam o mundo. Leva cerca de duas semanas para que o D4 e o D5 se degradem na atmosfera. “O ar pode circundar o globo inteiro em uma semana”, explicou McLachlan.

Em 2011, pesquisadores canadenses amostraram o ar de 20 locais do mundo todo – incluindo cinco no Ártico – e encontraram os compostos em todos os lugares. De acordo com McLachlan, no inverno, quando há menos luz do sol para destruir as substâncias químicas, o Ártico tem um pico. Pesquisadores também descobriram que usinas de tratamento de água e esgoto estão altamente contaminadas com eles.

“Eles [os siloxanos cíclicos] são muito diferentes se comparados a outros contaminantes químicos do ambiente”, explicou McLachlan. “Estamos apenas começando a entender como eles se comportam”.

Este artigo foi originalmente publicado em Environmental Health News, uma fonte de notícias publicada pela Environmental Health Sciences, uma empresa de mídia sem fins lucrativos.
Scientific American Brasil

Chineses ricos exportam poluição para regiões pobres

Controle da poluição nas províncias ricas da China levou poluidores para regiões mais vulneráveis

Bert van Dijk/Flickr
Uma fábrica na Mongólia Interior. Políticas de emissões mais rígidas nas províncias litorâneas mais ricas da China levaram suas indústrias – e suas emissões – para áreas mais pobres do interior com regras mais brandas. 

Por Tim Radford e The Daily Climate

LONDRES – De acordo com uma nova pesquisa, assim como nações ricas passaram a responsabilidade das emissões de dióxido de carbono para as nações em desenvolvimento, também as províncias ricas da China exportaram o problema para as regiões mais pobres.

O maior emissor de gás estufa do mundo – 10 bilhões de toneladas em 2011 – decidiu reduzir a “intensidade de carbono” de sua economia. No entanto, de acordo com Klaus Hubacek da University of Maryland e seus colegas, as regiões mais ricas e mais sofisticadas da China – as que têm as metas mais rígidas e específicas de redução de poluição – estão comprando bens manufaturados de locais como a Mongólia interior, uma região mais pobre onde as metas são menos limitantes.

“Isso é lamentável, porque as reduções mais baratas e mais fáceis – e portanto mais acessíveis – ficam nas províncias interiores, onde melhorias tecnológicas modestas poderiam fazer uma diferença enorme para as emissões”, declara Steven Davis da University of California, Irvine, um dos autores do estudo.

Metas mais difíceis

“Áreas mais ricas têm metas mais difíceis de alcançar, então para elas é mais fácil simplesmente comprar bens produzidos em outros locais”, adiciona Davis. “Uma meta nacional que rastreie emissões representadas no comércio seria um grande avanço para solucionar o problema. Mas não é isso que está acontecendo”. 

Em artigo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, Hubacek, Davis e seis outros relatam que examinaram a produção e as emissões da China em 2007 em 57 setores da indústria, em 26 províncias e quatro cidades.

Naquele ano, as emissões da China totalizaram mais de sete bilhões de toneladas, das quais mais da metade vinha de combustíveis fósseis queimados para a produção de bens e serviços que eram consumidos ou em outras partes da China, ou fora das fronteiras chinesas em 107 países.

Na prática, os autores forneceram uma geografia do comércio interno da China. Mais de 75% das emissões associadas aos bens consumidos em Pequim-Tianjing – uma das três regiões de maior afluente [comercial] – foram bombeadas para o ar de outras províncias.

Em 2009, na conferência climática das Nações Unidas em Copenhague, a China prometeu reduzir a dependência que sua economia tem do carbono ao reduzir emissões de CO2 por unidade de produto doméstico bruto dos níveis de 2010 em 17% até 2015. De acordo com o país, isso seria conseguido com a imposição de reduções de 19% nas províncias de afluente comercial da costa leste, e 10% no oeste, que é menos desenvolvido.

Empurrando as fábricas para o leste

A implicação é que políticas de redução de emissões tendem a levar fábricas e produtores para regiões onde os custos são menos, e os padrões de poluição, menos rígidos.

“Devemos reduzir as emissões de CO2, não simplesmente terceirizá-las”, aponta Laixiang Sun da University of Maryland, um dos autores do estudo. “Regiões e países desenvolvidos precisam assumir responsabilidades, fornecendo apoio ou investimento tecnológico para promover tecnologias mais limpas e mais verdes em regiões menos desenvolvidas”.

Os resultados, concluem os autores, “demonstram a interdependência econômica de províncias chinesas, enquanto também destacam as enormes diferenças em riqueza, estrutura econômica, e mistura de combustíveis que produzem desequilíbrios no comércio interprovincial e as emissões representadas no comércio”.

Este artigo foi originalmente publicaod em The Daily Climate, a fonte de notícias da mudança climática publicada pela Environmental Health Sciences, uma empresa de mídia sem fins lucrativos. 17jun2013
Scientific American Brasil