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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Conheça as curiosas gírias que descrevem a 'propina' pelo mundo



DA BBC BRASIL

O que as expressões "um cafezinho", no Brasil, "feijão para as crianças", em Kinshasa (Congo), "uma taça de vinho", em Paris (França) e "pequenas carpas", em Praga (República Tcheca), têm em comum?

São frases que descrevem itens da culinária desses lugares e, ao mesmo tempo, são eufemismos locais para pedidos de propina.

As expressões verbais usadas em atos de suborno diferem de um país para o outro, mas existem algumas interessantes similaridades, como descrevem os autores de um projeto sobre linguagem informal, David Henig (Universidade de Kent) e Nicolette Makovicky (Universidade de Oxford).

Abaixo, uma lista criada por eles de termos usados em várias culturas:

1. Dinheiro para sopa (turco)

Se você é parado por um policial de trânsito no norte da África o oficial pode pedir que você lhe pague sua próxima xícara de "kahwe", ou café. No Quênia, um policial poderia pedir uma contribuição para o "chá dos mais velhos" (chai ya wazee, em suaíli). Mas na Turquia, o policial diria para você lhe dar "dinheiro para sopa", ou chorba parasi - sopa é tradicionalmente um prato consumido no país depois de uma noite de bebedeira.

2. Respeito (azeri - Azerbaidjão)

Mesmo ocorrendo em plena rua ou em um escritório fechado, o ato da corrupção é sempre visto como abuso de poder e privilégio. Mas eufemismos populares frequentemente negam esta realidade e apresentam a corrupção como um comportamento altruístico, como um "favor para amigos". No Azerbaidjão, a palavra mais comum utilizada para propina é "hurmat", uma palavra que pode ser interpretada como "respeito". Um oficial requerendo suborno, nesse caso, pediria a você para "fazê-lo um favor", ou hurmaniti ela.

3. O peixe começa a feder pela cabeça (turco)

A frase "um peixe começa a feder pela cabeça" (balik bashtan kokar) vem da Turquia, relembrando que pequenos subornos de rua são sempre igualados à corrupção envolvendo grandes instituições e organizações. Oficiais mexicanos procurando ganhar pequenos "lucros" ou "porcentagens" para arranjar acordos financeiros irão pedir por uma "mordida", enquanto que os colombianos diriam "serra" (serrucho), para descrever uma porcentagem do lucro de um contrato governamental para eles mesmos.

4. Gratidão (húngaro e mandarim)

O termo corrupção implica tanto uma atitude ilegal quanto imoral. Mas em algumas regiões, o que é tecnicamente ilegal, pode ser reconhecido, de fato, como uma atitude aceitável ou até mesmo moral. Na Hungria, médicos e enfermeiros podem esperar pela "gratidão" (haalapenz) de seus pacientes, que na prática é um envelope contendo dinheiro.

Na Polônia, pequenos presentes de agradecimento são dados a burocratas que ninguém sabe exatamente quem são. Estes são chamados de "conhecidos" (znayamoshch), que são capazes de "arranjar coisas" (zalatvich spravi) para você no futuro. Na China, agentes de saúde e oficiais de governo também esperam por um "pequeno símbolo de gratidão" (yidian xinyi) por seus serviços. Enquanto na Rússia, eles dizem que você não pode "colocar um 'obrigado' no bolso" - spasibo v karman ne polozhish.

5. Debaixo da mesa (inglês, francês, persa, sueco)

Frases populares usadas para falar sobre corrupção são sempre metafóricas. A bem conhecida expressão inglesa descrevendo dinheiro passado por "debaixo da mesa", por exemplo, existe em francês (dessous de table), em persa (zir-e mize) e sueco (pengar under bordet). Outras expressões enfatizam movimento. Em húngaro, "dinheiro oleoso" (kenepenz) é pago para oficiais para "engraxar as rodas da burocracia", enquanto os russos sabem que às vezes é necessário colocar algo "na palma da mão de um oficial" (polozhit na ladon ou dat na lapu) com o objetivo de facilitar as coisas.

6. Algo pequeno (suaíli)

Vários eufemismos para corrupção e suborno trabalham para distanciar a atenção dada à ação (corruptiva) o minimizar sua importância. A expressão em suaíli kitu kidogo (pequena coisa) é um bom exemplo disso. Na Costa do Marfim, os policiais costumavam pedir por um pourboire ("para uma bebida" em francês), comparando o tamanho da propina a uma pequena gorjeta. Uma expressão brasileira para suborno - "um cafezinho" - também representa o mesmo que gorjeta.

7. Dinheiro para o chá (afegão e persa)

A popularidade universal do café e do chá como metáforas para subornos aponta outros meios de utilização de eufemismos para tentar "apagar" a verdadeira natureza da transação corrupta. No Afeganistão e no Irã, a expressão para suborno é poul-e-chai, significando "dinheiro para o chá". Nos dois países, o hábito de beber chá é uma parte essencial da vida social. Pedir "dinheiro para o chá" sugere que a propina pode ser dividida com os outros. Algumas expressões, tais como "feijão para as crianças", dão um sentido de caridade, como se estivesse sendo requisitado dinheiro para os mais necessitados.

8. 'Pagamento por questões' (inglês)

Casos de corrupção em grande escala têm seu próprio vocabulário, geralmente criado pela mídia. Como por exemplo o escândalo batizado em 1994 pelos jornais britânicos de cash for questions ("pagamento por questões"), em que políticos britânicos teriam recebido propina do dono de uma conhecida loja de departamentos para lançar debates no Parlamento com perguntas específicas. Na Itália, um escândalo para favorecer determinadas empresas privadas em contratos com o governo também ganhou denominação na mídia de tangentopoli (cidade das propinas), que é a combinação da palavra "tangente", significando "propina", e "poli" (cidade).

9. Caixa da Nokia (húngaro)

Na Hungria, o termo "caixa da Nokia" se tornou um símbolo para corrupção em 2010, quando o chefe da companhia de transporte público da capital, Budapeste, Zsolt Balogh, foi flagrado passando dinheiro para Miklos Hagyo, braço-direito do prefeito da cidade, colocado em uma embalagem de papelão de um telefone celular da marca Nokia. Isso se tornou até mesmo uma espécie de unidade de medida na moeda local: uma "Nokia box" valendo 15 mil forints (US$ 65 mil ou pouco menos de R$ 150 mil), que foi o valor da propina.

10. Pequena carpa (tcheco)

Na República Tcheca, os termos "pequena carpa" (kaprzhici) ou "peixe" (ryby), foram utilizados como linguagem codificada para um escândalo envolvendo representantes do futebol tcheco. Nas conversas entre técnicos, árbitros e jogadores, uma "pequena carpa" valia mil korunas tchecas (US$ 50 ou R$ 114), o valor de um "peixe". O eufemismo "pequena carpa" se tornou sinônimo para corrupção no país.

*Todas as traduções deste artigo são aproximadas.
Folha de S. Paulo

Fato ou Ficção? A água dos vasos sanitários e os tornados giram em direção oposta acima da linha do equador?

Qual o menor sistema controlado pela Força de Coriolis?

Robynne Boyd


O giro do tornado: O giro de um tornado é determinado pela colisão de ventos, o que significa que ele pode girar para qualquer lado, dependendo das circunstâncias
O clima nem sempre é previsível. Se fosse, as previsões diárias conseguiriam mapear furacões com antecedência, e sairíamos para passear sem o perigo de sermos pegos por uma pancada de chuva. No entanto, não é isso que acontece. Os sistemas climáticos são complexos assim, e os tornados não são exceção. Apesar de ser possível adivinhar para qual lado o tornado irá girar, como emqualquer previsão climática isso estará sujeito a erros.

É verdade que os tornados tendem a girar no sentido anti-horário no Hemisfério Norte e no sentido horário no Hemisfério Sul. Entretanto, de acordo com Richard Rotunno, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos em Boulder, Colorado, o contrário também já foi verificado. Existem aparições ocasionais de tornados com rotação no sentido horário e também anti-horário na mesma tempestade. Esses desvios enfraquecem a idéia comum de que o giro dos tornados é regido pela Força de Coriolis.

Para esclarecer o assunto, Rotunno explica que a Força de Coriolis possui uma influência significante na direção da rotação dos maiores sistemas circulatórios dos mares e oceanos da Terra, como por exemplo a Corrente do Golfo, o fluxo a jato, os ventos alíseos e ciclones. A rotação da Terra em torno de seu eixo causa esse efeito, fazendo os ventos do Hemisfério Norte soprarem para a direita e os do Hemisfério Sul, para a esquerda. É por isso também que uma rota aérea entre Anchorage, no Alasca, e Miami, na Flórida, tem que considerar a rotação da Terra no sentindo anti-horário (como observado no Pólo Norte), até pousar em seu destino, evitando ir parar no Golfo do México.

No entanto, a Força de Coriolis não é onipotente, obrigando que todos os tipos de rotação sejam no sentido anti-horário ao Norte do Equador e no sentido horário ao Sul. Mesmo após várias pessoas terem assistido a vídeos de descargas na Austrália e nos Estados Unidos girando para direções opostas, esses experimentos são baseados em sorte e talvez – e o que não é surpresa alguma – no próprio desenho dos vasos sanitários. Algumas pessoas brincam que a Força de Coriolis determina até mesmo para que lado os cabelos se enrolam.
Apesar de uma grande quantidade de informações errôneas, os vasos sanitários – e mesmo os tornados – são muito pequenos para serem regidos pela Força de Coriolis. Essa força só começaria a agir sobre o giro das massas de ar se elas fossem pelo menos três vezes maiores que os sistemas de tempestades de super-células, que geralmente geram os tornados.

"Os tornados são indiretamente influenciados pela Força de Coriolis”, afirma o meteorologista Harold Brooks do National Oceanic & Atmospheric Administration\\`s National Severe Storms Laboratory, em Norman, Oklahoma. A maioria dos tornados aparece nos Estados Unidos em uma região com grandes planícies conhecida como “beco dos tornados”, mas eles podem aparecer em qualquer lugar, inclusive na região sul do Brasil e na parte nordeste da Argentina, ou em Bangladesh. Essas violentas colunas de ar se originam de tempestades de trovões conhecidas como super-células. Nos Estados Unidos, elas se formam quando o ar polar mais seco proveniente do Canadá se encontra com a massa de ar tropical do Golfo do México, fazendo com que o ar aquecido se eleve rapidamente.

O processo da elevação natural da massa de ar quente gera uma força para cima. “Se existem ventos laterais com força suficiente (ventos com mais velocidade e altura) esse movimento de elevação se transformará em rotação”, explica Brooks. “Tornados giram quase sempre na mesma direção da tempestade que eles estão associados”. Portanto, se ventos quentes sopram para o norte a partir do Equador e se encontram com os ventos frios vindos do oeste, o tornado irá girar no sentido anti-horário. Já se o vento equatorial quente soprar em direção ao sul e se chocar com correntes de grande altitude, o tornado irá girar no sentido horário.

Isso acontece porque, em ambos os hemisférios, ventos de alta intensidade sopram do oeste devido ao movimento de rotação planetária. Esses ventos são a participação sutil da Força Coriolis no torque de um tornado.

Apesar de parecer fácil entender a pouca influência da Força de Coriolis sobre a direção do giro do tornado, o mesmo não vale para o funcionamento dos tornados. E predizer exatamente quando e onde os tornados vão aparecer e para que lado eles vão girar é mais difícil ainda. A incerteza ainda é a única certeza quando se trata de previsões meteorológicas.
Scientific American Brasil